sábado, 6 de dezembro de 2025

Fado Zé Cacilheiro

Fado Zé Cacilheiro


Quando eu era rapazote

Levei comigo no bote

Uma varina atrevida

Manobrei e gostei dela

E lá me atraquei a ela

P'ró resto da minha vida


Às vezes uma pessoa

A saudade não perdoa

Faz bater o coração

Mas tenho grande vaidade

Em viver a mocidade

Dentro desta geração


(Refrão)

Sou marinheiro

Deste velho cacilheiro

Dedicado companheiro

Pequeno berço do povo

E navegando

A idade foi chegando

O cabelo branqueando

Mas o Tejo é sempre novo


Todos moram numa rua

A que chamam sempre sua

Mas eu cá não os invejo

O meu bairro é sobre as águas

Que cantam as sua mágoas

E a minha rua é o Tejo


Certa noite de luar

Vinha eu a navegar

E de pé, junto da proa

Eu vi, ou então sonhei

Que os braços do Cristo-Rei

Estavam a abraçar Lisboa 

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Sopra finalmente

Sopra finalmente

Sopra finalmente o vento noturno

Aquele que busca o fim das marés

Soçobra quem se lhe opõe

Esvai-se todo o que o retém.


Ouve-se o lamento imberbe de Neptuno

Ecoam os sorrisos abafados da Mãe.

Há todo um saltério que se instala,

Pedindo versos francos e puros


A maior criação é a que sai

Do esmagar das teclas pela criança

Que se transforma em areia colorida

E se reinventa a cada raio de lua.

Não há maior luz que a do silêncio

Nem ilusão maior que a do amor.


É bela a calada da noite,

É nela que construímos casas

E colocamos cortinas nas janelas.

Sonhamos quietos e adivinhamos

Matizes dourados de encanto e lume

E aguardamos pacientes o redentor abraço.

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Canção: Dança ma mi criola (Tito Paris)

 Dança ma mi, criola, cola na mi

Pensa na passa sabi na un koladeraDança ma mi, criola, cola na miPensa na passa sabi na un koladera
Sabura é lá na nos terra Cabo VerdeLá nô ta sinti na mei d'nos tradiçãoSabura é lá na nos terra Cabo VerdeLá nô ta sinti na mei d'nos tradição
Dança ma mi, criola, cola na miPensa na passa sabi na un koladeraDança ma mi, criola, cola na miPensa na passa sabi na un koladera
Sabura é lá na nos terra Cabo VerdeLá nô ta sinti na mei d'nos tradiçãoSabura é lá na nos terra Cabo VerdeLá nô ta sinti na mei d'nos tradição
Txiga na mi, bo pertam forti ki é pam sintiCalor di bo, moreninha, oh, Cabo VerdeTxiga na mi, bo pertam forti ki é pam sintiCalor di bo, moreninha, oh, Cabo Verde
Sabura é lá na nos terra Cabo VerdeLá nô ta sinti na mei d'nos tradiçãoSabura é lá na nos terra Cabo VerdeLá nô ta sinti na mei d'nos tradição
Dança ma mi, criola, cola na miPensa na passa sabi na un koladeraDança ma mi, criola, cola na miPensa na passa sabi na un koladera
Sabura é lá na nos terra Cabo VerdeLá nô ta sinti na mei d'nos tradiçãoSabura é lá na nos terra Cabo VerdeLá nô ta sinti na mei d'nos tradição
Txiga na mi, bo pertam forti ki é pam sintiCalor di bo, moreninha, oh, Cabo VerdeTxiga na mi, bo pertam forti ki é pam sintiCalor di bo, moreninha, oh, Cabo Verde
Sabura é lá na nos terra Cabo VerdeLá nô ta sinti na mei d'nos tradiçãoSabura é lá na nos terra Cabo VerdeLá nô ta sinti na mei d'nos tradição
Pensa na un koladera(Na mei d'nos tradição) Pensa na passa sabi(Na mei d'nos tradição) Pensa na Cabo Verde(Na mei d'nos tradição) Criola, dança ma mi(Na mei d'nos tradição) Dança ma mi, dança
Na mei d'nos tradicãoNa mei d'nos tradiçãoNa mei d'nos tradiçãoNa mei d'nos tradição

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Poema: Bem posso andar cada dia...

BEM POSSO ANDAR CADA DIA....

Bem posso andar cada dia novos caminhos,

Ora pra a verdura do bosque, ora pra a fonte,

Para o rochedo florido de rosas

Olhar do outeiro pra os campos - nenhures,

 

Ó Bela, nenhures te encontro na luz

E pra os ares se me vão as palavras,

As piedosas palavras que ao pé de ti outrora

............................................

 

Sim, estás longe, ó face divina!

E a harmonia da tua vida se perde, de mim

Já não ouvida, e ai! onde estais vós,

Canções mágicas, que outrora o meu coração

 

Acalmáveis co'a paz dos Deuses celestes?

Há muito tempo! há quanto! O jovem

Envelheceu, mesmo a terra, que outrora

Me sorria, se transformou.

 

Adeus! Cada dia a minha alma se aparta

De ti e regressa, e choram por ti

Os olhos, para de novo claros

Poderem olhar pra onde tu'stás.

 

Friedrich Hölderlin, traduzido por Paulo Quintela

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Projecção

"Aceito no carinho e necessário silêncio que o que sempre me moveu foi ser insistentemente perscrutado pelo que quase sou. Conforta-me viver ligeiramente fora de mim, posto de rádio fora de sintonia." (MdM)

sexta-feira, 31 de março de 2023

DSA #16 - Hipersensibildade gástrica

Se os sabores e aromas estão ao rubro, a ausência de café e a abstinência de álcool parecem estar a carregar o organismo. Ontem foi dia de concurso vínico e o almoço acabou por me pôr de atalaia durante a noite. O alívio só chegou depois das 4 da manhã.

terça-feira, 28 de março de 2023

DSA #13 - Conquista de dois pontos na máxima

A alteração de dieta, exercício físico e mais algumas coisas são pelos vistos determinantes. Vamos a isso.

sexta-feira, 24 de março de 2023

DSA #9 - Frágil e vulnerável

Trabalho fora de Lisboa, deslocação desafiante, hipersensibilidade ao álcool. No entanto só se revelouao acordar hoje. Invade-me um sentimento de repulsa. 

quinta-feira, 23 de março de 2023

DSA #8 - Nova estabilidade

Ontem visitei um restaurante e abdiquei de tudo o que não era essencial para o meu trabalho. Bebi vinho. Mas caminhei sobre saibro sem apoio e consegui orientar-me bem. As mudanças estão a fazer-me bem, sem dúvida.

quarta-feira, 22 de março de 2023

DSA #7 - Secura de boca e noite interrompida duas vezes

Encomendei sushi para casa e dei-me mal, mesmo utilizando apenas um pacotinho de molho de soja. Reacção adversa provavelmente ao muito sal que está no molho de soja. Percebo que há mil fragilidades dentro de mim.

terça-feira, 21 de março de 2023

DSA #6 - Dores musculares

Pernas, braços e pescoço infinitamente mais móveis e ligeiros. Cumpre-se a primeira semana hoje e só lamento não ter aprendido mais cedo a influência da pressão arterial em quase tudo. Mas para a frente é que é caminho.

segunda-feira, 20 de março de 2023

DSA #5 - acordar difícil

Penso que é hoje que as coisas vão ser mais difíceis. Mas nada do tremor essencial anunciado. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

11/8/88 - O fim

Acordar e ficar na mais profunda solidão.

Vamos desligar, a menina está muito mal.

Vou para casa da minha mãe, disse o teu pai,

Fiquei sozinho a rezar.

Adeus fadinha.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

10/8/88 - Chegou a noite

Ficámos apenas eu e o teu pai.

Foi tudo embora, a vigília não acalentava mais os ânimos.

Começou a minha conversa mais intensa e íntima com Deus, que perdura.

O teu pai numa poltrona, eu noutra, entregámo-nos ao silêncio.

Adormecemos.

10/8/88 - Aceitar

Dormi nas camaratas do pessoal de S. José, aliás como ontem. 

A primeira coisa que fiz foi ir à UCI ver como estavas.

Tensão intracraniana estável mas alta, e o coágulo na mesma.

Não tive coragem de te tocar nem falar contigo.

Pe. Feytor Pinto veio a meio da manhã e preparou-me para a tua partida definitiva.

Depois da visita os instrumentos indicavam apaziguamento. 

Disseram-me que serenaste. Aceitaste.

Tentei olhar para o resto da minha vida mas não via nada.

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

8/8/88

Numa Segunda, como hoje.

Antes de tudo, logo de manhã a luz cortada em casa, um pai a fugir de táxi em táxi para não pagar.

Biblioteca da Gulbenkian. Serenar.

Fechou. Fomos para casa. Estivemos juntos.

Uma mãe a pedir para não estarmos, esperava alguém.

Não estavas bem.

Fomos jantar casa meus pais.

Reunião Racionalismo.

Filme. Eu não existo nem nasci em parte alguma. Era assim que eu gostava que a minha vida tivesse sido. Não gostei.

De repente a dor aguda. Liga para o meu pai.

Liguei.. Leva-a ambulância para S. José. Levei-te.



sexta-feira, 24 de junho de 2022

Sessenta

Fazes hoje.

Falámos muitas vezes deste dia,

Dos cabelos brancos,

Da mãe do João Pedro

E do quanto admiravas a sua paz,

A forma como envelheceu,

Querias envelhecer como ela.

Era o tempo em que nem pensávamos nisso.

Mas hoje não é dia de pensar no impensável,

É dia de festejar.

Navego aparentemente sozinho,

Em barcos emprestados,

Nada é meu nem quero nada

Senão hoje sentar-me quieto contigo

E dar-te um beijo de parabéns.

Até sempre. Até já.