sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Para um amigo tenho sempre um relógio

"Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol."

António Ramos Rosa

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Era preciso

Era preciso que eu fosse outro
e os outros de outra maneira.
Era preciso que o fio que escorre
Fosse pranto do lagar que ferve.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Re-volta

"Quero o fim da amargura
dos homens e dos metais
que a autêntica liberdade
deixe de ser um sonho
e aquela ronda famosa
dos homens e das mulheres
que dançam de mão dada
traga as espigas por nascer
das searas
de infinda alegria"

Dedicáfio

"Para ti,
Com carinho, o nosso,
A nossa amizade e este amor
Que nos faz perder nas palavras."

sábado, 24 de dezembro de 2016

Memória de elefante

Num lugar que não dá pra ver daqui
Mora um relógio que não quer parar.
(...)
Agora já não sou quem eu queria
Agora já não sou quem dizia.
(...)

sábado, 10 de dezembro de 2016

Quase


uma mulher quase nova
com um vestido quase branco
numa tarde quase clara
com os olhos quase secos

vem e quase estende os dedos
ao sonho quase possível
quase fresca se liberta
do desespero quase morto

quase harmónica corrida
enche o espaço quase alegre
de cabelos quase soltos
transparente quase solta

o riso quase bastante
quase músculo florido
deste instante quase novo
quase vivo quase agora

Poema e pintura de Mário Dionísio