quarta-feira, 19 de março de 2014
Pai.
Há 5 anos, foi a última vez que estive com o meu Pai. Telefonei-lhe a dizer que gostava de almoçar com ele, "claro, alguma razão especial?", estava desmemoriado, não tinha a noção de que era o dia do Pai. O almoço foi quase um solilóquio, o meu Pai olhava fixamente pela janela, como que para nenhures. Baralhado, repetiu 5 ou 6 vezes as mesmas coisas. Morreu num colapso total e súbito, em casa a trabalhar, no dia 30 de Março, 11 dias depois de o ter visto pela última vez.
Ao "Eduardo dos Livros", em Campo de Ourique iamos todos os sábados de manhã, tinha eu 7 anos, buscar os fascículos das muitas colecções que o meu Pai gostava de fazer e encadernar. Comprávamos cromos das muitas cadernetas que eu ia preenchendo. A revista Tintin não falhava, lembro-me bem de ler na capa "para jovens dos 7 aos 77 anos". Faria este ano 76.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Mulher
Espuma de mar desmaiado na rocha.
Espelho de duas faces.
Fumo de alecrim.
Lima-limão.
Dó menor.
Pé.
Joelho.
Barolo.
Exercício de um minuto.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
O que alguém disse
"Eleva-te num voo espiritual,
Esquece o teu amor, ri do teu mal,
Olhando-te a ti própria com desdém.
Só é grande e perfeito o que nos vem
Do que em nós é divino e imortal!
Cega de luz e tonta de ideal
Busca em ti a verdade e em mais ninguém!"
No poente doirado como a chama
Estas palavras morrem... E n'aquele
Que é triste, como eu, fico a pensar...
O poente tem alma: sente e ama!
E, porque o sol é cor dos olhos d'ele,
Eu fico olhando o sol, a soluçar...
Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"
domingo, 2 de fevereiro de 2014
A beleza do ínfimo
"Tal como estas minúsculas gotas de transpiração num pepino acabado de cortar, também a vida é feita de pequenos milagres que nos surpreendem e encantam. Que, por muitos anos, eles continuem a marcar presença, deslumbrando-te."
Obrigado, Ana.
domingo, 15 de dezembro de 2013
O filme que foi hoje
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
A morte não é nada (S. Agostinho)
Oração atribuida a Sto Agostinho
Apenas passei ao outro mundo! O que fomos um para o outro ainda somos; Como sempre se pronunciou. a ternura mais pura que sempre tivemos um pelo outro! não chores mais..... | |
