quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Deus brinca
"(...) Não me perguntes porque se mata o sol na lâmina dos dias e o meu mundo continua à tua espera, houve sempre coisas de esguelha nas paisagens e amores imperfeitos; Deus tem as mãos grandes."
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
A ilusão do cedo
Acordar antes do amanhecer é uma das muitas graças do inverno. A sensação do dia maior e da noite que me perscruta. A vantagem de ver com os próprios olhos todo um mundo que continua na sua girândola, os jogos e as pessoas, interditos, e a dizer-me ao ouvido não fazes falta.
(PaT)
(PaT)
domingo, 7 de janeiro de 2018
Epifanias
África, Ásia, Europa. A proveniência dos três reis magos e os únicos reinados então conhecidos, anunciados no salmo, vagamente descritos no relato do evangelho de S. Mateus. Entretanto avançou-se muito no estudo e fundamentação da que foi a primeira revelação universalmente aceite de um messias. Consta dos escritos de todas as confissões religiosas, gurus e líderes espirituais. Claro que ter nascido é fundador, mas é notável que se conheça a história do que primeiro o anunciou, S. João Baptista. E claro que nem sequer teríamos sabido do nascimento se não tivesse sido revelado e transmitido. Siddartha e Krishnamurti são grandes líderes espirituais e os seus conhecimentos e filosofias permanecem. Mas nesta questão do nascimento de João Baptista e J.C. existe a enorme novidade de ter convivido e crescido com os demais. A epifania foi a primeira notícia globalmente difundida na história. Depois instalou-se a torrente dos juízos e razões dos homens, perfeitamente previsível. Tenho pena, intimamente gostava que fôssemos mais pacíficos e menos cartesianos. Mas isso, como tudo o resto, é subsidiário e único em cada um. A partir da epifania, ficámos mesmo por nossa conta.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Imperdoáveis
Somos imperdoáveis quando de dentro nos sai o contrário do que o mundo grita, e mesmo assim gritamos mais alto que o mundo.
quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Abdica e sê rei de ti próprio
Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,
Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,
Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.
Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?
Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?
Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra
Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.
(Ricardo Reis)
Nem uma memória na alma,
Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,
Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.
Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?
Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?
Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra
Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.
(Ricardo Reis)
domingo, 8 de outubro de 2017
Vagamente
Uma exposição de arte de quem não saiba absolutamente nada;
Um concerto de música que nunca ouvi nem tenho o código;
Visitar um lugar de que nada sei nem ouvi falar;
Aceitar que alguém me mostre ou leve.
É vagamente isso.
Vagamente.
Um concerto de música que nunca ouvi nem tenho o código;
Visitar um lugar de que nada sei nem ouvi falar;
Aceitar que alguém me mostre ou leve.
É vagamente isso.
Vagamente.
terça-feira, 12 de setembro de 2017
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