sexta-feira, 17 de junho de 2016

MF21. Marion Post Wolcott, 1910-1990 (EUA)

Filha de um médico conservador, e de uma mãe progressista, nos anos 30, na sequência da morte do seu pai, mudou-se para Paris e depois foi estudar psicologia em Viena. A ascensão do nazismo determinou o regresso aos EUA, para dar aulas e foi com os seus alunos que começou a fotografar profissionalmente. Depois seguiu-se uma vida atribulada, com fome, falta de trabalho e de dinheiro a tornar-lhe tudo muito difícil. A II Grande Guerra, especialmente na variante sociológica, teve uma grande influência em todo o seu longo e profícuo percurso como fotorrepórter.

domingo, 12 de junho de 2016

Deuses andaram outrora... (Holderlin)


Deuses andaram outrora entre os homens, as Musas magníficas
E o jovem Apolo, sarando, inspirando, como tu;
E tu és para mim como eles, como se um dos Venturosos
Me tivesse mandado pra a Vida: se eu ando, anda comigo
A imagem da minha Heroína, quando sofro e crio, com amor
Até à morte; pois isto foi que aprendi dela e dela tenho.

Vivamos, pois, ó tu com quem eu sofro, tu com quem
Íntima - e crente - e fielmente luto por tempo mais belo.
Pois nós somos! E se em anos vindouros ainda soubessem
De nós ambos, quando outra vez o Génio valer,
Diriam: «Estes solitários criaram pra si em amor,
Só sabido dos Deuses, o seu mais secreto mundo.
Pois os que só do que morre cuidaram, a terra os recebe;
Mas mais se aproximam da Luz e do Éter
Os que, fiéis ao íntimo amor e ao divino espírito,
Esperando e sofrendo e com calma o Destino venceram.»

Temos de ser pobres dos que amamos.

Sobretudo mantê-los livres permanecendo.

Permaneço.

MF20. Jessie Tarbox Beals, 1870-1942 (CAN)

Foi a primeira mulher fotojornalista do Canadá, começou em 1902 nos jornais Buffalo Inquirer e The Courier. Mudou-se com o marido para Nova Iorque, onde foi forçada a abrir um estúdio para conseguir sobreviver. Tinha uma vontade indómita de conhecer o mundo e produzir notícias acompanhadas das fotografias mais informativas e directas de que fosse capaz. Teve uma filha em 1911, cuja doença provocou o afastamento do pai, o que a marcou de forma profundamente negativa. Acabaram por se divorciar em 1924, o que libertou Jessie e a filha, mudando-se para a Califórnia, onde o cinema estava ao rubro e as estrelas queriam ser fotografadas e famosas. Houve, contudo, a grande crise financeira logo a seguir. A vida nunca lhe mostrou um lugar brilhante e tranquilo para viver, a luta e a tenacidade são as suas grandes marcas.

Triunfo da estatística

Faz hoje entre 5 e 6 anos mais ou menos que aconteceu qualquer coisa de extraordinário na minha vida de que não me lembro porque devia estar a pensar fixamente nalguma coisa sem sentido. São memórias fortes como esta que nos fazem sentir acordados. Vontade de dormir.

sábado, 11 de junho de 2016

MF19. Ruth Orkin, 1921-1985 (EUA)

Fotojornalista e realizadora de cinema, filha única de uma actriz de cinema mudo, e um fabricante de barcos de brinquedo. Fez aos 17 anos uma viagem gigante de bicicleta, através dos EUA, entre Los Angeles e Nova Iorque, em que fotografou muito. Pode ter nascido aí a sua carreira brilhante de fotojornalista. Mas aos 22 anos ainda tinha de trabalhar como fotógrafa num night-club, e durante o dia fotografar bebés, para conseguir dinheiro para a sua primeira máquina fotográfica. Trabalhou como repórter para todas as grandes revistas norteamericanas e por isso conheceu diversas pessoas famosas, com quem estabeleceu sempre relações fortes. O seu trabalho mais genial, para mim, foi “American Girl in Italy”, fotorreportagem integrada na série “Don’t be afraid to travel alone”, sobre mulheres a viajar sozinhas pela Europa no pós-guerra. Esta foto diz quase tudo e é linda.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

MF18. Graciela Iturbide, 1942- (MEX)

Mais uma fotógrafa que começou a sua actividade nas artes visuais no cinema. Fortemente influenciada por Manuel Álvarez Bravo, cedo se virou para a fotografia. Os temas sociais, especialmente os que versam sobre a família e a realidade campesina do México, sua terra natal, encontram particular eco no talento artista. Interessam-lhe, de certa forma, um certo grotesco e as artes cénicas improvisadas. É autora de algumas das mais belas fotografias de costumes populares, em termos absolutos, incluindo casamentos, funerais e assuntos religiosos.