domingo, 13 de março de 2016
MF6. Annie Leibovitz, 1949- (EUA)
Disse um dia que gostava que fosse possível fotografar a grandiosidade da natureza, a emoção da terra, a energia viva do lugar. O seu trabalho testemunha o talento gigante da artista e a invulgar capacidade de evocar o belo nos trabalhos por contrato, mantendo uma espécie de zona secreta e inviolável acessível apenas por ela. O retrato de Twyla Tharp que tenho sempre presente na memória demonstra para mim a força do seu trabalho em estúdio, apesar de ser conhecida no retrato por outras imagens, bem mais difundidas. Hesito, mesmo assim, em considerá-la mais retratista que esteta. É capaz de uma relação íntima com o símbolo e em função dele de quase se reinventar, a ponto de mostrar o inteiramente novo qua acaba de descobrir. Quase faz dela uma fotorreporter. É assim que a vejo. Esta imagem é da cama da pintora naturista Georgia O’Keeffe - flores -, consta que Annie chorou ao olhar para os lençóis.
sábado, 12 de março de 2016
MF5. Julia Margaret Cameron, 1815-1879 (EUA)
Estabeleceu a fotografia como arte e numa altura em que o hype da fotografia era para a maioria o hiperrealismo, ela optou por imagens fora de foco, para trabalhar e mostrar emoções. Nesta imagem, a tristeza. Notável.
MF4. Margaret Bourke-White, 1904-1971 (EUA)
Foi a primeira mulher fotógrafa a voar num avião da força aérea norte-americana, e a primeira ocidental a conseguir fotografar a indústria soviética. Destemida e determinada, conseguiu que se lhe abrissem todas as portas. Nesta foto, uma fábrica de munições da antiga Checoslováquia.
MF2. Cindy Sherman, 1954- (EUA)
Utilização impressionante da cor e texturas. Tem ainda o recorde de valor de venda de uma fotografia em leilão. Foi com esta foto. Cerca de 4 milhões de USD.
MF1. Frances McLaughlin-Gill, 1919-2014 (EUA)
Morreu a 23 de Outubro - dia do ano importante para mim - e, se ainda hoje são muito poucas as fotógrafas de moda, quando aos 24 anos foi a primeiríssima a assinar um contrato com a Vogue, eram praticamente inexistentes. Renunciou ao modelo estático, cénico e “perfeito”, inaugurando um estilo mundano, alegre e directo com o seu trabalho. Ainda hoje permanece como exemplo da área, à escala mundial.
domingo, 6 de março de 2016
Si tú y yo, Teresa mía, nunca
Si tú y yo, Teresa mía, nunca
nos hubiéramos visto,
nos hubiéramos muerto sin saberlo:
no habríamos vivido.
Tu sabes que morirse, vida mía,
pero tienes sentido
de que vives en mí, y viva aguardas
que a ti torne yo vivo.
Por el amor supimos de la muerte;
por el amor supimos
que se muere; sabemos que se vive
cuando llega el morirnos.
Vivir es solamente, vida mía,
saber que se ha vivido,
es morirse a sabiendas dando gracias
a Dios de haber nacido.
Miguel de Unamuno
nos hubiéramos visto,
nos hubiéramos muerto sin saberlo:
no habríamos vivido.
Tu sabes que morirse, vida mía,
pero tienes sentido
de que vives en mí, y viva aguardas
que a ti torne yo vivo.
Por el amor supimos de la muerte;
por el amor supimos
que se muere; sabemos que se vive
cuando llega el morirnos.
Vivir es solamente, vida mía,
saber que se ha vivido,
es morirse a sabiendas dando gracias
a Dios de haber nacido.
Miguel de Unamuno
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