sábado, 12 de março de 2016

MF2. Cindy Sherman, 1954- (EUA)

Utilização impressionante da cor e texturas. Tem ainda o recorde de valor de venda de uma fotografia em leilão. Foi com esta foto. Cerca de 4 milhões de USD.

MF1. Frances McLaughlin-Gill, 1919-2014 (EUA)

Morreu a 23 de Outubro - dia do ano importante para mim - e, se ainda hoje são muito poucas as fotógrafas de moda, quando aos 24 anos foi a primeiríssima a assinar um contrato com a Vogue, eram praticamente inexistentes. Renunciou ao modelo estático, cénico e “perfeito”, inaugurando um estilo mundano, alegre e directo com o seu trabalho. Ainda hoje permanece como exemplo da área, à escala mundial.

domingo, 6 de março de 2016

Si tú y yo, Teresa mía, nunca

Si tú y yo, Teresa mía, nunca
nos hubiéramos visto,
nos hubiéramos muerto sin saberlo:
no habríamos vivido.

Tu sabes que morirse, vida mía,
pero tienes sentido
de que vives en mí, y viva aguardas
que a ti torne yo vivo.

Por el amor supimos de la muerte;
por el amor supimos
que se muere; sabemos que se vive
cuando llega el morirnos.

Vivir es solamente, vida mía,
saber que se ha vivido,
es morirse a sabiendas dando gracias
a Dios de haber nacido.

Miguel de Unamuno

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Porquê, Umberto Eco?

Tenho pena quando vejo partir gigantes como Umberto Eco, mas mais pena ainda do tempo que ele desperdiçou nas muitas oposições que fez a Jorge Luís Borges. O Nome da Rosa está pejado da ironia mais grosseira ao génio sulamericano. Basta atentar no nome do velho cego que punha veneno nas páginas de alguns livros. Nunca entenderei, de infantil e primário que é.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Magma é pedra. Pedra é magma.

15.04.23

Magma é pedra. Pedra é magma.
Uma e outra são nada sem o que as faz ser,
Viajantes em fusão sem se mexer
Incandescência fria, gelo ardente
Carrocel sem eixo, cubo sem aresta, dentro sem fora.
Magma.
Pedra é vontade, magma é memória.
Tudo se transforma no mesmo e por isso tudo é inteiramente novo,
Impossível intervir, máquina imparável; Cosmos privado.
Proibido não fixar com data e lugar os pequenos incidentes,
Dos maiores alguém saberá, cordas de água, flechas de ar, colisões-difusão.
Há dias em que palavra que à porta. Alma magma,
Liberdade pedra.
Monumento colosso invisível, paz texto que nunca ninguém leu, porque nunca existiu.

Hoje é carta.

Hoje é (finalmente) pragma.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Faz hoje um ano.

Faz hoje um ano que a chuva lá fora.
Duendes fadas e moções,
Acasos e fecho de interrupções.
Dia de verdade mar rio e ria.
Não tenho ninguém aqui, disseste.
O coração dele fraco abandónico.
Ajuda-me, não devo, o que puderes.
Cuidados intensivos.
Nós, um drama anterior,
Verdade especial e particular.
Sabia exactamente o que me irias fazer.
O que já tinhas feito.
Subir, querer, fingir, esquecer.
Atestado de estupidez.
Mas praia do tubarão, noite suave.
As baterias e tudo a falir,
E não entendeste.
Dia seguinte amargo, como sempre.
Mas ainda bem.
Ainda bem que tudo ainda bem.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Vida longa ao melhor vinho do mundo!

Os enófilos mais viajados e experientes sabem que é impossível isolar o melhor dos melhores, dentre tudo o que se faz no mundo. Sabemos e desagravamos que o epíteto do “melhor vinho do mundo” não existe nem tem fundamento. De vez em quando há uns concursos, provas e opiniões com maior largura de banda e por isso mesmo criam essas auras, ou ilusões. Defendo, contudo, que o Porto Vintage é, genericamente, o melhor vinho do mundo. Porquê? Simples. Sempre que há o que se chama declaração clássica de Porto Vintage e se convoca a tribo da crítica, provamos às cegas cinco ou seis dezenas de amostras e a distribuição de classificações é mais ou menos esta: 6 ou 7 vinhos absolutamente extraordinários, nível cósmico; cerca de 15 vinhos excelentes; 30 de nível Muito Bom; e o resto Bom. Não há vinhos maus, nem mal feitos, nem possuidores de defeito sistemático sensível. É a grande festa do vinho do Porto, sem rival em qualquer outra denominação de origem. Mesmo quando me sento para provar os top de Bordéus, Borgonha ou Barolo, há um grupo superior, extraordinário, de cerca de cinco vinhos, depois 10 muito bons e, sinceramente, os outros, que vivem mais dos defeitos que das virtudes.
Os Vintage 2013 não são clássicos. Entendeu o colectivo dos produtores de vinho do Porto que as chuvas fortes que marcaram segunda metade do período da vindima comprometeu a aspiração ao topo da tabela. E bem. Escolho para representar esse fenómeno um vinho paradoxal, de cunho Fonseca, com a marca Fonseca Guimaraens, que sai sempre que o ano não é clássico para a casa. A Quinta do Panascal é a principal origem dos vinhos deste lote, complementada pelas quintas de Santo António e Cruzeiro, todas do Cima Corgo. Está fabuloso, cheio e potente, com tudo ainda por revelar, como se pretende num bom vintage. Equilíbrio perfeito na boca, tem um comprimento notável, mais que evocativo de um clássico. Para guardar por muitos e bons anos, ou para consumir já, decantado a preceito e com respeito. Viva o vinho do Porto.

18,5 - Fonseca Guimaraens Vintage DOC Vinho do Porto 2013 | The Fladgate Partnership (54 Eur)