sábado, 15 de novembro de 2014

As folhas mortas

Les feuilles mortes

Oh je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux où nous étions amis
En ce temps là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Tu vois je n'ai pas oublié
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emportet
Dans la nuit froide de l'oubli
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais

C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais, et je t'aimais
Et nous vivions tout les deux ensemble
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis

C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais et je t'aimais
Et nous vivions, tous deux ensemble
Toi qui m'aimait, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aime
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis.

domingo, 9 de novembro de 2014

Um soneto de Virgínia Victorino

Há quem tenha horror à simplicidade. Felizmente não é o meu caso e sempre por isso mesmo chamarei a atenção para Virgínia Victorino pelo seu talento e brilho, sempre expressos em palavras simples. É preciso amar o simples.

Amor

O amor! O amor! Ninguém o definiu.
É sempre o mesmo. Acaba onde começa.
Quem mais o sente menos o confessa,
e quem melhor o diz nunca o sentiu.

Conhece a todos mas ninguém o viu.
Se o procuramos, foge-nos depressa.
Se o desprezamos, todo se interessa,
só está presente quando já fugiu.

É homem feito sendo criança.
E quanto mais se quer menos se alcança,
ninguém o encontra, e em toda parte mora.

Mata a quem dele vive. É sempre assim.
Só principia quando chega o fim,
morreu há muito e nasce a cada hora.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Casulo e favo


Completas

A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

Manuel António Pina, “Algo Parecido Com Isto, da Mesma Substância”

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Libelinha

Libelinha rasando o sol poente!...  Hoje bate tudo muito dentro, salvaste-me com um poema. És aprendiz de fada e eu um sortudo inconsciente que não te merece. Corredores de cristal, pela tua mão a ver todas as coisas verdadeiras, eternas porque definham. Quase te pedia mais, noutros corredores e noutras razões; que me mostrasses. Palavra que mais. Muito mais

sábado, 6 de setembro de 2014

Num corredor junto ao mar


"Duas pedras de sal desalinhadas, o vento a única força, o tempo a única dimensão. Mar. Claro que chove, dentro e fora da onda que se me enrola em volta, morre e desfaz nas tuas mãos. Às vezes a água é isto, toda mar toda cristal. Indiferente às mãos que lhe ponho dentro. Rio e mar, pressuposto e fim que é onda e volta. Volta sempre porque sempre aqui esteve. Palavra que pedras de sal". (M. Mar)

domingo, 17 de agosto de 2014

A Viagem dos Cem Passos

Todas as experiências são individuais. Todo o percurso é solitário. Um filme que para lá das referências óbvias e directas, consegue entrar no mausoléu dos amores imaginados. A massa densa do tempo obriga-me a sentir o éter do mundo à minha volta. É difícil continuar. Mas continuo. Continuarei. Sei que não há histórias como a do filme, mas era exactamente essa a história que eu queria, a do filme.  Afinal, não precisamos de companhia, só de nos sentirmos acompanhados.

Sendo o título original "The Hundred-foot journey", ou seja, a viagem dos cem pés, não sei onde desencantaram a viagem dos cem passos. 

domingo, 6 de julho de 2014