sábado, 17 de agosto de 2013

As minhas memórias são nada

As minhas memórias são nada. O passado é aquilo que se desdobra de novo nas minhas mãos, à maneira de mapa, para onde não vale a pena olhar, apenas sentir. Quanto sinto que tudo está na mesma, é quando sei que tudo mudou. Eu, como as memórias, sou um nada mutante. Calo dentro feliz o sentimento de que tudo é diferente.

Correr juntos


Quando chegavam as 6 da tarde, era tempo de voltarmos a ver-nos. Vencer o trânsito e o cansaço. Deixar acender dentro a chama que nos atirava tanto um para o outro. Havia mais, muito mais, que nos atirava ambos para o rio. Metamorfose rápida, ser só vestir o equipamento e descer, o Tejo ali. Silêncio, não falávamos. Então dávamos as mãos. Caminhávamos 5 minutos de mãos dadas. E começava a corrida, 4,5 km para lá, outro tanto para cá. Era exactamente 9 km de conversa. Ninguém soube que 9. Mas nove. Era como se não fosse preciso respirar, correr ou andar a mesma coisa. Não dispensávamos era falar. E fazíamos amor devagar, muito tempo. Do que aprendi e vi, as outras pessoas correm de forma solitária, e fazem amor a correr. Nós não. Nunca.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Era no Algarve que devia estar

Encostado ao perfil de uma gaivota, em modo vagaroso, a sondar que mundo.

Ou a pensar não sondar. Antes ser perscrutado sem dar por isso. Que havia. Que podia haver.

sábado, 10 de agosto de 2013

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Sinto. 10. Discurso, doutrina, prática.

Se alguém é o que diz, como pode o que faz não ser aquilo em que acredita? A humanidade vive encarcerada naquilo que promete e - mais?... - no que espera dos outros.

A Fé compromete. Deve comprometer. É forçoso que comprometa.

Alguém deve achar que o amor.

Palavra que se diz.