quarta-feira, 31 de julho de 2013

Sinto. 9. O amor liberta, o desejo limita.


"O desejo próprio de liberdade é maior do que o desejo de conceder liberdade àqueles que mantemos prisioneiros dos nossos sentimentos."

Extraído de conversa com Agostinho da Silva

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sinto. 8. Sim, Rilke.

As Once the Winged Energy of Delight (R.-M. Rilke)

As once the winged energy of delight
carried you over childhood's dark abysses,
now beyond your own life build the great
arch of unimagined bridges.

Wonders happen if we can succeed
in passing through the harshest danger;
but only in a bright and purely granted
achievement can we realize the wonder.

To work with Things in the indescribable
relationship is not too hard for us;
the pattern grows more intricate and subtle,
and being swept along is not enough.

Take your practiced powers and stretch them out
until they span the chasm between two
contradictions...For the god
wants to know himself in you.

domingo, 28 de julho de 2013

Sinto. 7. Eu sei, eu sei, não é preciso repetir.

Acabo de ouvir acidentalmente "Why" por Annie Lennox e também por acidente reparar melhor na letra. Palavra que vozes vindas dos corredores ortogonais. Ou intersecções acidentais.

A ideia dos olhos que sentimos fixos em nós e que não.

Palavra que aqui.

sábado, 20 de abril de 2013

Sinto. 6. Os Estados de Alma vivem apenas nas palavras simples.

E na Patética tocada por Glenn Gould.

"É fundamental respirar a palavra e respirar fundo o intervalo". (Inteiramente Simples)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sinto. 5. Que cartas já não.

"Houve um tempo em que, nos amores e nas paixões, se falhava de forma espectacular. Com baba e ranho. Dava-se tudo. Saíamos rasgados de pele e coração. Valia sempre a pena, mesmo quando perdíamos o chão.

Os erros, as faltas, as vertigens, o pé à beira do abismo existiam para nos lembrarmos de que somos humanos. A regra era cair e levantar, prontos para outra depois de lutos intensos, sofridos, partilhados. Agora tudo isso existe sob a forma de prevenção. Para nos lembrarmos do que não devemos fazer, dos riscos que não devemos correr, contra o vírus da solidão.

Fomos ficando higienizados. Da alma à cama. Uma espécie de “se conduzir, não beba” para evitar os males do coração. Como se pudéssemos dizer “se amar, não se magoe”.

Com o passar dos anos, aprendemos a contornar os sintomas a bem da decência, da pose e da anestesia geral ou local, conforme as necessidades. O importante é não dar parte de fracos.
O ciúme é uma coisa moderna, para ser compreendida. A discussão acalorada está fora de moda.
A vingança é um prato que não se serve frio nem quente nas relações mais conceituadas. É coisa do povo, ementa de vidas de tasco, entre um tiro de caçadeira e um facalhão de meter respeito.

O civismo entrou definitivamente na nossa intimidade para amansar os corpos, os gestos, as palavras. A postura é um fato de pronto-a-vestir que usamos para entrar e sair das relações. Talvez até já nem se rasguem roupas quando chega a hora. O sentimento não ferve, a aprendizagem das loucuras que fizemos é renegada e a história do que fomos não tem disco duro porque a caixa de mensagens é mais prática e descartável. De resto, já não há cartas para guardar porque ninguém as escreve. Quem as leria, de resto, se tivessem mais de 140 caracteres?

Como num poema do Eugénio, já não há nada que nos peça água. E estamos como ela: insípidos, inodoros e incolores. Leves. Capazes de ir do tudo ou nada sem efusão de sangue. Deve andar a escapar-nos o momento em que deixamos de olhar a vida nos olhos e a desregrada infinidade de coisas que vinha junto com ela."


Miguel Carvalho
in Revista Egoísta

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sinto. 4. Esqueceste que a Temperança.



Nem o oposto de caos é ordem nem o oposto de verdade é mentira. A hora é de Temperança. Palavra que o desafio.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sinto. 3. A importância de não ser amado.

Tudo tem o inefável aspecto de refrigério, quando percebemos que o amor foi ao longo da vida passando, mas não ficou. Então sinto esta força grande e relaciono-me com a noção de ser absoluto. Amor total e incondicional. Este ao menos não cai no chão. A música é a de "Fascination", e a tradução para português pertencerá sempre a Elis Regina:

Os sonhos mais lindos sonhei.
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão mil venturas previ.

O teu corpo é luz, sedução,
Poema divino cheio de esplendor.
Teu sorriso quente, inebria e entontece.
És fascinação, amor.

Os sonhos mais lindos sonhei.
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão mil venturas previ.

O teu corpo é luz, sedução,
Poema divino cheio de esplendor.
Teu sorriso prende, inebria e entontece.
És fascinação, amor.