sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Sinto. 2. A hora azul, do azul

L'Heure Bleue, tal como a cantou tão bem Françoise Hardy

c'est l'heure que je préfère,
on l'appelle l'heure bleue
où tout devient plus beau, plus doux, plus lumineux
c'et comme un voile de rêve
qu'elle mettrait devant les yeux
cette heure bien trop brève
et qui s'appelle l'heure bleue

c'est une heure incertaine, c'est une heure entre deux
où le ciel n'est pas gris même quand le ciel pleut
je n'aime pas bien le jour:
le jour s'évanouit peu à peu
la nuit attend son tour
cela s'appelle l'heure bleue

le jour t'avait pris
et tu te promènes
dans le soir de Paris
l'heure bleue te ramène

c'est l'heure de l'attente quand on est amoureux
attendre celui qu'on aime, il n y a rien de mieux
quand on sait qu'il va venir
c'est le moment le plus heureux
et laissez-moi vous dire
que ça s'appelle l'heure bleue
oui laissez-moi vous dire
comme j'aime l'heure bleue

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sinto. 1. Castigo sem crime?

Papa anuncia que vai abandonar o cargo, à maneira do funcionário que dá 30 dias à empresa antes de sair. E como na empresa também, ninguém o pode demover da moção. De todas as perplexidades a que nos habituou nestas últimas décadas - em que foi apenas uma ténue sombra do homem brilhante que outrora foi - reduz-se a funcionário e diz que passará o resto da vida em oração. Em primeiro lugar, eu achava que ele era já homem de perfil orante, irredutível no seu posto. Depois, não se sente forçado a explicar melhor, absolutamente nada. Quando aceitou a eleição - a mesma que Martini rejeitou -, não era propriamente jovem, mas sentia-se com forças pra governar o ingovernável. Tento não pensar no assunto, detenho-me apenas na palavra "Papa". Vem do grego Pappas, e quer dizer "padre", ou "pai". Então o pai diz aos filhos, "vou ali pró cantinho até morrer, não consigo mais ser vosso pai". Por que não nos diz a verdade?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Permaneço. 50 (e último). Naufrágio.

Permanecer não é pra todos. É imperativo habitar a distância, percorrer em silêncio todos os corredores como se por debaixo de cada passada houvesse, escondida, uma mina de ouro. Saber sempre onde nasce o sol.

Naufrágio tranquilo e pacificador.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Permaneço. 48. O êxito dos insucessos.

Qualquer pessoa deve conseguir explicar-se e não apenas circunstanciar-se. O sucesso circunstancia-me em função de pessoas, lugares, tempos, relações e sentimentos. O insucesso não; esse é apenas meu. Por isso, são os insucessos que me explicam.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Permaneço. 47. Cafetaria.

Nas cafetarias dos museus, as pessoas olham para a tabela de preços com a mesma atitude com que olham para uma obra de arte. Demoram exactamente o mesmo tempo, e aprendem exactamente o mesmo, que é nada. Por que olham, então?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Permaneço. 46. Cinco anjos.


Dois mundos não pode ser. Um dual do outro nem pensar. Tinha sido ali o fogo primeiro, sobre o qual uma brincadeira. Crianças irreverentes, aros, ferros, elásticos, daqueles grossos, com vês a suportar e depois algodão, pedras dói, e a lama fina que se desprendia do relvado à medida que a água. Ai os limões, ai se pudesse, e o gelo, Deus o gelo tão gelado no fogo, quente ou frio afinal, tudo o que a terra dá tem fogo de permeio, não tem explicação, a luz foi-se vêm os luzeiros que se acendem e o fogo é outro é sempre o outro, mãe por que se repete tudo, não repete são dois mundos, mas mãe, deixa isso, o carrinho no chão tudo desarrumado. Por que são mulheres estes anjos, donde vimos os anjos são femininos, e as fadas, não há fadas donde vimos. E no entanto cinco.